quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

Desejo Senil

Quero encontrar a velhice sem medo...

Diante das rugas e sinais do tempo
Que venha a permanência de um sorriso leve
E que as marcas do tempo em meu rosto sirvam de mapa para os mais jovens

Desejo ter palavras doces, severas e sábias
A quem necessite delas
Poder despejar elogios ao próximo
Sem medo 

Quero ter passos lentos
Sem pressa de chegar
E poder aproveitar o melhor da vida
Cada paisagem, gosto e pessoa

Almejo poder vislumbrar um por do sol
Com o saudosismo da velhice
O olhar novo de uma criança
E a sabedoria de quem viveu a vida bem vivida

Anseio pela serenidade
Para resolver problemas com simplicidade
Discernimento para separar o joio do trigo
E preparo para lidar com o que ainda não conheço

Quero trazer em mim
Paciência, sabedoria, amor
E apenas sorrisos em uma alma leve

Que venha a velhice.

Silas Macedo


quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Exercício da Gratidão

Esses dias tenho refletido sobre o poder da gratidão. Fiquei pensando como esse sentimento pode funcionar como mola propulsora para a vida. Partindo do princípio deste questionamento, o que é a gratidão? Resposta rápida, é a sensação de retribuição para algo bom que nos foi concedido. Uma sensação que não deve ser confundida com dívida, porque certamente se tornará algo pesado, cansativo e dolorido. Na verdade, ela é leve e livre de cobranças.

Penso que a gratidão é um sentimento que deve ser compreendido e praticado. Ao entender que a vida e, tudo que ela nos proporciona - incluindo altos e baixos, erros e acertos, dores e prazeres - é um presente do universo, tudo fica mais fácil. E, como uma pedra lançada em um lago inerte que provoca ondas que se espalham, atingindo, e movimentando tudo em volta, a gratidão abre portas para outros sentimentos positivos.

O ser humano é energia, vibração, e como ondas de rádio podem ser sintonizadas, fazendo com que tudo e todos que estejam na mesma frequência se aproximem. Fato que o meio influencia diretamente o ambiente e vice-versa, questão já comprovada pela filosofia e diversos segmentos da ciência. Pensando nisso, imagine que somos feitos de matéria leve, quase tão sútil quanto o éter, sendo assim, se estivermos ligados a uma âncora ficaremos inertes e predispostos a ser depósito de lodo. Já ligados a um balão é possível alcançar o céu e navegar por novos horizontes.

Penso que é essencial para a vida, perceber que ela é um dom único dado por Deus. Ter a chance de estar na Terra, independente da condição, é um presente maravilhoso, uma oportunidade para vislumbrar as belezas do mundo (basta olhar atentamente) e, essencialmente, para aprender, evoluir e se tornar um ser humano melhor.

A gratidão permite a humanidade ver o mundo por uma ótica melhor. Por isso, ao acordar, respire fundo e gradativamente perceba seu corpo, cada fibra, o dom da visão - infinitas matizes de cor, audição - inúmeras possibilidades de som, olfação - o ar entrando nos pulmões, gustação - diversos paladares, e tato - permitindo a experiência única do toque, e perceba como a vida é grandiosa, devendo ser usufruída e zelada.

Agradeça a Deus, a todas as pessoas que contribuíram com sua caminhada terrestre, os aprendizados, e tudo o que a vida proporciona. A gratidão é uma via de mão dupla, fazendo bem para quem emite e quem recebe o agradecimento. Funcionando como um grande espelho para o mundo, confirmando o dito popular "sorria para o mundo, que ele sorrirá pra você".

Ressalto que o exercício da gratidão não é fácil, em meio aos dias difíceis, mas sem dúvida trarão bons resultados quando praticados ao longo da vida.

Abra a mente e o coração para essa energia. Conecte-se com o que é bom.

Silas Macedo

Texto dedicado aos meus pais - Jalmir Rodrigues e Salete Macedo.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Gay é Legal

O que você acha dos gays? Esse é o ponto de partida para uma breve reflexão sobre como a sociedade moderna vê e se comporta diante da homossexualidade. Em geral, as respostas a essa pergunta são; "não tenho preconceito, eles lá e eu cá", "se eles me respeitarem e manterem distância, sem problemas", "eu aceito e gosto dos gays, já lésbicas não dá pra suportar né" - resposta de mulheres heterossexuais, "eu amo ver duas mulheres juntas, me dá tesão" - posicionamento de homens heterossexuais, "sou fã de vários atores e músicos gays", "Adoooro gays! Meu cabeleireiro é, tenho amigos, nenhum problema com isso".

Aparentemente respostas positivas sobre a homossexualidade, supostamente demonstrando respeito e tolerância. Mas a cena muda quando as mesmas pessoas que deram essas respostas são colocadas diante de um casal homossexual nas ruas, em um restaurante ou cinema, em um ambiente profissional, entre outros lugares que qualquer ser humano frequenta livremente.

Surge a indignação; "falta de vergonha na cara e surra", "nojo", "os gays abusam, agora querem demonstrar carinho nas ruas", "não sou obrigado a conviver com eles", "imagina se meus filhos vem essa baixaria", "por que eles não ficam no canto deles".

É engraçado ver como o ser humano insiste em viver mentiras, em meio a hipocrisia, e vidas  perfeitas encenadas, justificadas pela ignorância e incapacidade de ser empático. A ciência atesta que a homossexualidade é uma condição, não escolha ou opção. Tendo como base os depoimentos de diversos homossexuais que afirmam que diante do preconceito e violência, se pudessem escolher, não escolheriam essa condição e sim ser "normal". E a única opção do ser humano, independente de qualquer condição, é ser feliz.

Diante disso, é possível perceber que a homossexualidade não dever ser tratada como uma doença contagiosa, para que a classe LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transgenêros) devam viver em guetos isolados da sociedade. E ainda que a repulsa e o preconceito heterossexual estão arraigados em questões culturais, e desejos e questões sexuais mal resolvidas.

E quanto aqueles que adoram gays como cabeleireiros, amigos, etc., a opinião emitida muda quando a realidade está mais próximo, por meio de um filho ou parente gay. É simples aceitar a homossexualidade do filho "viadinho" do vizinho, ter um amigo "baitola" não é problema, mas já aceitar essa condição tão perto é, por vezes, insuportável e desastrosa. 

Sem falar no número crescente de atos de violência, ofensas, e morte causadas por homofobia. Até quando seremos coniventes com essa situação? Por que é mais fácil tolerar atos de violência do que gestos de carinho entre duas pessoas do mesmo sexo?

Penso que para lidarmos e compreendermos as diferenças, quaisquer que sejam elas, devem partir de um exercício empático - se colocar no lugar do outro, desmistificar os próprios tabus, e principalmente, estar abertos para o novo. Ações que, sem dúvida, permitirão o respeito ao próximo. Uma postura que deve ser tomada gradativamente contribuindo para a evolução da humanidade.

E por fim, sugiro uma análise de consciência, quando for necessário emitir a opinião sobre gays e lésbicas, e o real posicionamento diante deles.

Trate o próximo como deseja ser tratado.

Silas Macedo

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Proteção Espiritual

Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador.

Se Deus a ti me confiou, guardai-me e guiai-me na luz e na graça divina.

Encaminha os irmãos infelizes, encarnados e descarnados, para a luz da face de Cristo.

E protege-me de todo o mal.

Assim seja (Amém)!


Oração antiga, passada de geração em geração, para o bem e proteção de toda a humanidade. 

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Relacionamentos e seus investidores

Imagine que as relações humanas são como uma grande instituição financeira, um banco ou bolsa de valores, onde existem vários tipos de investidores. Todos eles, com perfis completamente diferentes, mas ligados pelo mesmo objetivo, criar e manter relacionamentos saudáveis e duradouros.

Conheça as regras, os investidores, e faça suas apostas
E, conhecer e entender o perfil de cada investidor, ajuda a identificar qual o nosso perfil e também das pessoas que nos relacionamos, de forma que esse entendimento permita melhorar as relações humanas.

Após refletir, dividi os "investidores" em três tipos ou arquétipos, os conservadores, os apostadores de risco, e os não-investidores.

Os conservadores são aqueles que ao conhecer alguém, seja companheiro de trabalho, candidato a amigo(a) ou namorado(a), demorarão para "investir" no novo. Naturalmente desconfiados, eles examinam lentamente o novo, baseados no medo, sempre prontos para se esquivar de uma traição. Os conservadores ficam a espreita imaginando o que o outro tem em mente, e gradativamente formando a opinião se devem ou não apostar.

Quando decidem apostar, não colocam todas as fichas na mesa, vão apostando uma a uma, até que realmente possam confiar no novo relacionamento. Mas, é necessário ressaltar, que qualquer deslize será suficiente para que ele mude de opinião e recolha todas as fichas apostadas até aquele momento.

Já os apostadores de risco, destemidos, são naturalmente emocionais, se apaixonam pelo novo. Sem medo de perder ou se machucar, lançam o corpo de peito aberto rumo ao precipício, na certeza que serão amparados pelo outro. Apostam tudo! Sem titubear jogam todas as fichas na mesa. Quando recebem uma resposta recíproca, sentem-se vitoriosos, e felizes por poder apostar no melhor da humanidade. Porém, quando decepcionados, seja por mentiras, deslealdade e falta de reciprocidade, vão gradativamente retirando as fichas da jogada.

Não radicais, eles ainda concedem um novo voto de confiança, porém com ressalvas. E neste momento que o jogo é decidido, porque podem novamente apostar no novo, ou gradualmente retirar as fichas da mesa, até que o novo seja considerado nada, e passe a inexistir.

Por fim, os não-investidores, sem muitas explicações, são totalmente descrentes nas relações humanas. Eternamente desconfiados, jamais dão um voto de confiança ao outro, preferem ficam na defensiva, dentro da ostra, inertes, não dispostos a mexer um músculo rumo à evolução. E por que? Quanto se é uma pessoa sorrateira, pronta para trair, puxar o tapete alheio em benefício próprio, certamente também se é uma pessoa desconfiada. Seguindo o raciocínio, o indivíduo que trai o próximo, sempre acha o outro pode traí-lo.

A questão é entender qual o tipo de investidor somos, e principalmente com quais investidores estamos nos relacionando. Creio que essa consciência ajudará no auto-conhecimento, e principalmente evitar frustrações e usufruir de relações plenas e saudáveis.

Silas Macedo

domingo, 9 de setembro de 2012

Joio, trigo e política


Nos últimos tempos, a política, e as vivências entorno dela, tem me feito aprender e também refletir muito sobre ela, justamente por estar trabalhando como assessor de imprensa de um parlamentar de Guarulhos.

Em meio a corrida para as eleições 2012, faltando menos de 30 dias para o povo ir as urnas eletrônicas, supostamente para escolher seus representantes junto ao Poder Público, o que vejo apenas é grande parte da população descrente sobre qualquer possibilidade de mudança  no cenário político, indecisa entre anular o voto ou não.

E como mudar este quadro, já que temos em Guarulhos 1128 candidatos a vereador, sete para prefeito  - segundo o site DivulgaCand, incluindo os candidatos com nomes como Palhaço Legume, Bigode da Lotação, João Cabeção, Fulana da Tapioca, João do Gás, entre tantas outras bizarrices. Sem esquecer de incluir entre as opções, aqueles que não entendem nada de política e almejam apenas um cargo na Prefeitura, os corruptos que já atuam como parlamentares e desejam continuar no comando, os que tem a chamada moral flexível, e por fim, embaixo de toda essa sujeira, alguns bem intencionados, e no final aqueles que entendem, amam e querem fazer política limpa.

O grande desafio, diria quase utópico, é expurgar todos o lixo que se intitula candidatos a representantes do povo, dando oportunidade para os  realmente dispostos trabalhar. E por falar em povo, será que ele realmente sabe votar? Penso que votar é uma arma, um direito conquistado, que deve ser usado com sabedoria, e não desperdiçado como tem sido feito.

O povo não escolhe seus representantes conscientemente, com poucas exceções. A maioria ainda vende o voto de alguma forma, defendendo apenas os interesses e proveitos individuais. Estamos na reta final das eleições, e a maioria desconhece os prefeituráveis, e quanto aos vereadores, poucos são os que têm boas propostas e são ouvidos  pela população.

Acredito que única forma de resolver esta equação é por meio da educação do povo, ensinando o cidadão desde cedo a conhecer e refletir política. Sem a necessidade de ser um cientista político, mas apenas alguém consciente. E na outra via, criar mecanismos que impeçam que qualquer um se torne um parlamentar. A proposta do Ficha Limpa já é um começo, mas penso que é necessário criar muitos outros. Sugiro um  currículo mínimo para ser candidato, incluindo por exemplo; a realização de trabalhos sociais, engajamento, formação acadêmica e bons projetos.

Sem dúvida, ações que apenas surtirão efeito a longo prazo. Isso, caso essas mudanças venham acontecer. E o que resta então?

Votar consciente! E como em um trabalho de formiguinha, cada um fazendo sua parte, para obter a diferença no resultado final.


Silas Macedo

sábado, 25 de agosto de 2012

Casar ou comprar uma bicicleta, eis a questão...

Casar ou comprar uma bicicleta? Esta frase remete a uma dúvida comum do ser humano, quando é necessário decidir em se unir a alguém, construir uma vida juntos, ou simplesmente seguir outro caminho.

A recente notícia do casamento de uma amiga balzaquiana, uma união repentina diria, me fez refletir sobre a decisão e a importância de se unir a alguém. Por que as pessoas se casam? Quais os conceitos e convenções envolvidos no matrimônio? Quais os motivos que levam duas pessoas a trilharem um só caminho?

No caso da minha amiga, ela afirma que não dispõe mais de tempo para ser infeliz, e que encontrou alguém que também está disposto a construir uma vida juntos. E novamente me deparo com a afirmativa, disposição é sinônimo de amor. Foi inevitável, questionei minha amiga se ela não tinha medo de arriscar, errar, e se frustar. Sem titubear, ela afirmou que não, primeiro porque  está seguindo seu coração, e segundo porque viver é correr riscos.

Seguindo o raciocínio questionei uma outra amiga, com vinte e poucos anos, que também vai se casar, se ela tinha plena certeza da decisão. Fui esclarecido com a resposta: Claro que sim! Com ele eu posso ser eu mesma, não mentir, ser compreendida, e ter a certeza que tenho um amigo, companheiro e amante que poderei contar sempre.


Outro amigo me disse, eu não tenho dúvidas que ela é a mulher da minha vida, e ela sabe que eu sou o homem da vida dela, e por que? Eu sei que se precisar dela as três da madrugada, e se for necessário atravessar o mundo, ela estará comigo, assim como eu faria isso por ela. 

Diante desses relatos, penso que afirmar que o casamento é sinônimo de naufrágio e infelicidade, é um erro. O conceito de união foi ao longo do tempo deturpado e confundido com convenções, criando casamentos falsos e tristes. 


Sinceramente, penso que só que as pessoas devam apenas se casar quando têm certeza do que querem, sentem e almejam. Passado o período de namoro que contempla a atração, paixão e reconhecimento (período do test drive), é necessário questionar se os interesses apontam para o mesmo local, e ainda se além da atração física e sexual, o respeito, o companheirismo, o amor e amizade serão suficientes para construir um relacionamento forte e duradouro.


Se as respostas forem positivas é hora de pegar a bicicleta, colocar o amor confortavelmente na garupa e seguir - preparados para os buracos, superando altos e baixos - rumo a felicidade. 

É o que almejo pra mim.


Silas Macedo

domingo, 12 de agosto de 2012

Via de mão dupla

Recentemente ouvi de um amigo: "Você sumiu! Tenho sentido sua falta na minha vida." Na hora respondi que estava trabalhando demais, mas que em breve nos encontraríamos. O questionamento me fez refletir sobre a importância da reciprocidade nas relações, sejam elas, familiares, profissionais, amorosas ou amizade. 

É fato que a agitação do dia a dia por vezes nos faz "esquecer" de dedicar a devida atenção para as pessoas que queremos bem. Quantas vezes a corrida contra o relógio, somada a milhares de tarefas cotidianas, nos faz esquecer o aniversário de um amigo, um compromisso agendado há dias, ou mesmo mandar uma mensagem ou fazer uma ligação para quem amamos. 

Penso que não há culpados nas relações negligenciadas, creio que haja apenas pessoas desatentas que não se policiam. Afinal, será que é impossível dispor de um minuto para fazer, por exemplo, uma ligação? Quantas vezes fazer uma chamada apenas para desejar "bom dia" ou saber como a pessoa está, pode mudar o dia de uma pessoa, ou ainda no caminho inverso, salvar o nosso. 

As relações, como quase tudo na vida, necessitam de cuidado e atenção, caso contrário, perdem a força e morre. A chamada regra de ouro - trate o próximo como deseja ser tratado - deve ser aplicada a todos os tipos de relacionamentos. No trabalho com respeito e responsabilidade, nas amizades para que elas se fortaleçam na verdade, na família compreendendo e respeitando as individualidades, e na atividade diária de fortalecimento e reconquista do amor.

E como em uma via de mão dupla, é necessário que haja fluxo de ida e volta (a tal reciprocidade). É neste fluxo que é possível perceber se tudo o que se devota é recebido com respeito e gratidão, e principalmente, se tem devolução. Nós humanos somos benevolentes e também egoístas, por isso, temos a necessidade de receber de volta o que doamos, por mais que uma pessoa seja altruísta, a devolutiva serve como termômetro nas relações. 

Basta pensar, ninguém liga para alguém que não faz questão de receber aquela ligação, um exemplo, entre tantas situações.

Diante disso, penso que a meta é seguir nesta via de mão dupla, de forma que possamos amar e em troca amados ser.

Silas Macedo